Viajar é fascinante por vários motivos, mas, para mim, o melhor é conhecer culturas diferentes, seus costumes, suas comidas e seus rituais. Por falar em rituais, numa viagem recente que minha família e eu fizemos ao Nepal, tivemos a oportunidade de assistir à cerimônia de cremação usada pelos hindus. E eu posso dizer que foi impressionante.
No roteio da nossa viagem a Katmandu, havia uma visita ao Templo hindu de Pashupatinath, um dos templos mais importantes do mundo dedicado ao deus Shiva e que faz parte da lista de Patrimônios da Humanidade da UNESCO. Logo que entramos na enorme área do templo, vimos algumas fogueiras acesas em plataformas localizadas à beira de um rio, mas não entendemos de imediato o que estava acontecendo naquele local. Quando o guia nos informou que aquela era a cerimônia de cremação, ficamos num estado meio de choque, em profundo silêncio e incapazes de nos mover. Com um misto de respeito e curiosidade, assistimos àquele ritual.
De acordo com a tradição hindu do Nepal, antes da cremação, o corpo deve ser mergulhado três vezes no rio Bagmati, um afluente do sagrado rio Ganges. Depois, o corpo é carregado para uma das plataformas que ficam às margens daquele rio. O corpo, enrolado num pano branco ou alaranjado, é cuidadosamente colocado sobre uma pilha de troncos de madeira. Aqueles são os últimos instantes em que amigos e familiares verão o corpo da pessoa que será cremada. Depois de tudo arranjado, a pira funerária é acesa, geralmente pelo filho mais velho.
E assim, os corpos são cremados ali, diante de familiares, amigos, curiosos e turistas. Depois de cremados, as cinzas são varridas para o rio Bagmati e o filho mais velho, aquele que geralmente acende a pira funerária, deve tomar um banho no rio imediatamente após a cerimônia. Não é incomum que parentes se juntem a ele e também tomem um banho no rio Bagmati. Alguns preferem apenas borrifar água daquele rio sagrado em seus corpos para que sejam purificados espiritualmente.
Sei que não há como comparar culturas, rituais, cerimônias religiosas e afins, mas, no ocidente, a morte é tratada de forma tão asséptica, tão distante dos nossos olhos que, ao vê-la de frente, sendo encarada de forma tão aberta, tão natural, a princípio, foi um choque, mas me fez pensar que talvez os hindus estejam certos. Perder entes queridos é doloroso no Brasil, no Nepal ou em qualquer lugar do mundo. Entretanto, fazer cerimônias que exarcebem essa dor não me parece natural. É isso aí. Vivendo e aprendendo.


Gostei muito.
Diversidade de culturas é fantástica.
Um abraço.
Por: Guedes em 15/01/2012
às 3:34 pm
Marcelo,
Estas pessoas são levada até esse templo quando doentes e lá há um que se intitula médico, é quem avalia o estado de saúde da pessoa. Diagnosticado sua gravidade o mesmo é deixado ali sem ser tratado pela medicina seja ela qual for, com suas melhores vestes, os pés sempre na água do rio, acompanhado por apenas um familiar até a morte chegar.
Sabe, é estranho o que vou lhe dizer, pois sou cristã…
Nós os ocidentais, não temos uma forma muito de egoísta de amar?
Muitas das vezes a pessoa entra em sofrimento (físico e da alma) e nós assistindo a pessoa morrendo aos poucos, ainda que impotentes, queremos a pessoa ali conosco…
Um Abraço!
Por: Divina Jardim em 16/01/2012
às 5:28 pm
Essa coisa de cremação é interessante…
Quando estávamos em Bali, na praia de Kuta, vimos uma cerimonia, mas eu passei fora, não quis nem saber.. fiquei até com medo…. mas os nossos amigos que foram conosco, até filmaram….
abs,
Por: Francy e Carlos Guttierrez em 16/01/2012
às 11:40 pm