No dia 25 de setembro de 2011, houve um acidente de avião no Nepal e todos as 19 pessoas a bordo faleceram. Eles voltavam de uma voo panorâmico pela Cordilheira do Himalaia. Desastres aéreos são sempre uma tristeza muito grande. No dia 04 de novembro, pouco mais de um mês depois dessa tragédia, minha família e eu tivemos a oportunidade de fazer o mesmo voo panorâmico, chamado de “mountain flight” (voo da montanha, numa tradução meio vagabunda).
No dia marcado, acordamos cedo e fomos direto para o terminal doméstico do aeroporto de Kathmandu (Catmandu?), a capital do Nepal. Descrever aquele terminal é fácil: uma zona, para falar português claro. Mas tudo era festa. Cheios de ansiedade, fizemos o check-in, pegamos os cartões de embarque e esperamos. Esperamos, esperamos e esperamos. Como a visibilidade estava ruim, todos os vôos daquela manhã foram cancelados. Seria isso um aviso? Deveriamos desistir de ver o Monte Evereste? Claro que nem pensamos nessa possibilidade e remarcamos o voo para o dia 07 de novembro.
Assim, acordamos novamente às 5 e meia da manhã, nos juntamos ao grupo que iria fazer o voo e nos dirigimos para o aeroporto. A ansiedade podia ser vista em cada um de nós. Olhei para o céu ao amanhecer e minhas esperanças aumentaram. Ao aproximar do aeroporto doméstico, ouvi um avião decolar. Afinal, o tão esperado voo panorâmico iria acontecer.
Passamos pelas formalidades do aeroporto, entramos num pequeno ônibus e fomos levados até um pequeno avião, modelo Beechcraft 1900, com 19 assentos e hélice. Nada que inspire muita confiança. Entramos naquela pequena aeronave e a apreensão aumentou alguns pontos, mas ainda sob controle. A ansiedade atingiu o máximo quando os motores foram acionados, o valente aviãozinho tremeu e o cheiro de óleo queimado vindo das hélices pode ser sentido de dentro da cabine. O que eu estou fazendo aqui?, pensei. Estou aqui para ver o Evereste. Ponto final. Com a mão suada, quase esmaguei a mão da minha esposa. O avião começou a se movimentar e, com sorrisos nervosos nos lábios, fomos ver o topo de um planetinha azul chamado Terra.
O dia estava meio nublado e o voo durou aproximadamente uma hora, numa rota paralela à cordilheira do Himalaia até o Monte Evereste. O aviãozinho sacolejou, fez barulho, tremeu e meu coração batia mais forte a cada solavanco. Entretanto, quando ultrapassamos as nuvens e vi, pela primeira vez, o Himalaia, imponente e contrastando com a imensidão azul do céu, esqueci meus temores e babei diante de tanta beleza. Aliás, todos os passageiros, com os rostos grudados nas pequenas janelinhas, riam e faziam comentários quanto à beleza única daquelas montanhas geladas. Tive vontade de fotografar tudo, ver de mais perto, de achar algum ângulo diferente, de beijar minha esposa e minhas filhas, de aproveitar cada segundo daquela experiência incrível. Depois de algum tempo, a bela e simpática aeromoça começou a levar cada um dos passageiros para a cabine do avião. A vista daquele ponto é ainda mais deslumbrante. Quase senti inveja do piloto que pode apreciar tamanha beleza todos os dias.
E o Monte Evereste? Ele é mesmo lindo? Há algo de especial ou mágico naquela montanha gelada? Claro que é uma emoção diferente ver “o” Monte Evereste, mas, na verdade, todos os picos daquela cordilheira são belíssimos e arrisco a dizer que o Evereste é apenas mais um pico naquela paisagem de cartão postal. Talvez por ser o mais alto ponto do planeta, com seus inimagináveis 8848 m de altura, ele seja especial. Seja como for, com fama ou sem fama, o Monte Evereste é lindo! Valeu!
Para resumir, uma hora de voo é muito pouco. A vontade que se sente é de repetir o voo várias vezes. Para mim, o privilégio de ver aquela paisagem magnífica com a minha família foi algo especial. No final das contas, o medo, a ansiedade e o pavor durante as turbulências não são nada quando comparados ao êxtase que se sente ao ver uma das mais belas paisagem do nosso planeta. Tive a sensação de ter feito mais uma daquelas coisas que se tem de fazer antes de morrer.


Muito legal.
Por: Guedes em 27/11/2011
às 2:28 pm
Maravilhoso, e aqui em Viçosa temos um modesto voo panoramico para admirarmos as montanhas de MINAS!!!
Por: Fabio Lucio Barbosa em 28/11/2011
às 12:45 pm
Muito legal!!!
Por: MauOscar em 15/12/2011
às 3:44 pm