Publicado por: marcelopaniago | 13/11/2011

Chichén Itza – México

Em 2007, numa votação feita por internet, Chichén Itza, localizada na península de Yacatan, no México, foi escolhida como uma das novas 7 maravilhas do mundo. Quatro anos mais tarde, em agosto de 2011, tive de apresentar alguns trabalhos num congresso científico em Cancún e, claro, aproveitei para conhecer esse sítio arqueológico. Para resumir, fiquei de boca aberta. Vou espantar a preguiça e contar um pouquinho do que vi e senti ali.

Chichén Itza está localizada a pouco mais de 200 km daquele famoso balneário e a viagem de ônibus demorou pouco mais de 2 horas. Durante este trajeto, o nosso guia turístico explicou alguns detalhes interessantíssimos sobre a civilização Maia. Por exemplo, o sistema numérico era baseado em múltiplos de 20 (número de dedos – das mãos e dos pés, claro) e todos os números podiam ser representados por apenas três símbolos. Para efeito de comparação, o sistema decimal usa 10 caracteres – 0,1,2,3… 9). É difícil de imaginar como esse sistema funciona, mas depois de ser bem explicado pelo guia, ficou até fácil de entendê-lo.

Além disso, o conhecimento astronômico daquela antiga civilização era assombroso. Só para dar uma ideia, eles eram capazes de prever até eclipses. Imagine o poder que as classes dominantes ou os sacerdotes tinham sobre os “pobres mortais” quando eles “avisavam” que os deuses estavam bravos e que a terra ficaria escura ou que parte da lua sumiria por alguns instantes.

E para culminar, o filme catástrofe “roliudiano” 2012, do diretor Roland Emmerich e estrelado por John Cusack, foi baseado no suposto fim do mundo que teria sido previsto por essa antiga civilização para o dia 21 de dezembro de 2012. Ainda segundo o nosso informativo guia, toda essa polêmica veio do fato de que o dia 21 de dezembro de 2012 marca o final de um ciclo de 5125 anos do Calendário de Contagem Longa Mesoamericano, seja lá o que isso siginificar. Putz, se isso for verdade, só temos pouco mais de um ano de vida.

Depois de duas horas cheias de ansiedade, cheguei a Chichén Itza. Tenho um especial prazer de visitar esses monumentos históricos, pois gosto de “viajar” no tempo e imaginar o dia-a-dia das pessoas naquelas condições. De todas as construções daquele sítio, a mais impressionante é, sem dúvida, o Templo de Kukulcan. Esse monumento, em forma de pirâmide, mede pouco mais de 29 metros de altura e domina completamente a principal plataforma de Chichén Itza. Portanto, a pirâmide não é muito grande e nem tão impressionante como aquelas do Egito, mas há nela simbolismos que a tornam fascinante e única.

Ainda mais interessante é que, durante o equinócio(*) da primavera e do outono, ao entardecer, a luz solar que incide sobre a pirâmide forma vários triângulos que dão a aparência de uma cobra descendo as escadas (foto ao lado). Quando vi as fotos desse fenômeno, fiquei, mais uma vez, de boca aberta. Além disso, há o eco da pirâmide. Deixe-me explicar melhor. Se um pessoa ou um grupo se posicionar diante da uma das laterais do Templo de Kukulcan e bater palmas, o eco que se ouve é de um som parecido com uma ave. Nosso guia, mais uma vez, nos falou que o som é parecido com o canto do ” quetzal”, um pássaro comum na região. Por causa desse fenômeno, a cada minuto, turistas batem palmas diante da pirâmide. Ou melhor, turistas parecem aplaudir a formidável civilização Maia.

Como não poderia deixar de ser, havia centenas vendedores de bugigangas (camelôs) tentando vender aquelas recordações que enchem a mala, pesam pra caramba e, no fim, vai acabar numa gaveta. Camisetas, pratos, tapetes, máscaras diversas, etc. Um dessas bugigangas chamou a minha atenção: um apito que reproduz o som emitido pelo puma, um grande felino comum na região. A todo momento, ouviam-se “rugidos ferozes” naquele lugar. Fiquei imaginando se há algum turista louco para comprar aquilo. Deve haver, claro.

Por essas e outras que Chichén Itza merece o título de uma das 7 novas maravilhas do mundo. Já prometi para a minha esposa e minhas filhas que, se o mundo não acabar no dia 21 de dezembro de 2012, vamos todos visitar Chichén Itza. Assim, só me resta dizer: caba não, mundão!.

(*) Equinócio refere-se ao dia do ano em que o tamanho do dia é exatamente do tamanho da noite. No Brasil , esses dias são 20 de março e 23 de setembro. Em março, o equinócio marca o início do outono e em setembro, o início da primavera. Esse blogue também é cultura! 

A foto usada para ilustar o equinócio no Templo de Kukulcan foi obtida no seguinte endereço:

http://en.wikipedia.org/wiki/File:ChichenItzaEquinox.jpg


Respostas

  1. Esse monumento merece a nossa visita, é pena que não temos ainda nenhum projeto de ida ao Méximo…
    Bem, se o mundo na acabar em 2012, daqui a um mês e um ano, iremos lá sim..
    abs,

  2. Olá. Marcelo, maravilhosos monumentos, o mundo não vai acabar em 2012, pois ele não acabou em 2000, como era garantido, tenho certeza que vc retornará a esse local, se possivel, compre p/ mim um desses apitos, OK!!!


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