Há mais de dois meses não escrevo uma só linha para este blogue. Falta de tempo, correria, falta de assunto, outras atividades? Que nada. Foi preguiça mesmo. E das boas. Daquelas que não desgrudam. Mas vamos recomeçar.
Bom, um dos vícios que tenho é a leitura. Leio tudo o que cai nas minhas mãos. Livros, revistas, jornais, biografias, trabalhos científicos, quadrinhos, artigos na internet, enfim, tudo. Minhas preferências literárias não são nada muito intelectuais, mas bastante variadas. De Graciliano Ramos a Lobão, de Richard Dankins a Rubem Fonseca, de piadas de Ari Toledo a bula de aspirina. Só não leio livros de auto-ajuda.
Toda esse bla-bla-bla sobre leitura foi só para falar sobre comida. Comida? Sim. Num dos livros que li recentemente, uma dessas bobagens que se compram em aeroportos, (“The Confession”, escrito por John Grisham), o autor fala sobre um jovem que foi condenado à morte e, antes de ser executado, tem o direito a escolher a sua última refeição. Ele escolhe uma pizza de pepperoni e um copo de “root beer”, um refrigerante com gosto de remédio para o fígado. Gosto não se discute.
Depois de ler aquela passagem do livro, fiquei pensando o que eu escolheria se eu estivesse naquela situação. Talvez frango com quiabo e angu, para não negar minhas raízes mineiras. Costelinha de porco? Bife com batata frita? Frango ao molho pardo? Sei lá. Com tantas coisas deliciosas, eu precisaria de umas dez “última refeição”. Entretanto, se eu tivesse de escolher, eu pediria, hummmmmmmm, deixe-me pensar um pouco mais, hummmmmmmm. Já sei. Eu escolheria pulpo galego com vinho tinto vagabundo.
Pulpo é polvo em espanhol, aquele bicho cheio de tentáculos que habita a imaginação fértil das crianças. Claro que esse polvo não é tão grande e nem feroz quanto aquele das Vinte Mil Léguas Submarinas, de Júlio Verne, e nem tão simpático quanto Paul, o polvo mediúnico da Copa do Mundo. Mas é muito mais gostoso.

Na Galícia, uma região gastronomicamente deliciosa da Espanha, as pulperias, locais especializados em vender os pulpos, são comuns e ficam cheias nas manhãs de sábado ou dias de feiras. Não sei como são preparados, mas os polvos são cozidos em por um tempão em grandes tachos de cobre e pronto. Acho que é só isso. Talvez coloquem sal na água. Sei lá. Definitivamente, esse não é um blogue de culinária. Depois, os tentáculos são cortados com tesoura e aquelas “rodelas pôlvicas” são temperadas com um pozinho de páprica, conhecido localmente como picante, e regados com muito azeite de oliva. Tudo isso acompanhado de vinho tinto vagabundo e pão.
O sabor? Hummmmmmmm. Não dá para explicar, mas é algo situado entre o delicioso e o inimaginável. Em 2011, tivemos o prazer de passar as férias de meio de ano nas montanhas galegas e comi pulpo feito louco. Minhas filhas e minha esposa Bel, que é umbilicalmente ligada à Galícia, também adoram isso e, assim, passadas rápidas nas pulperias eram parte de nossa rotina de férias. Só de pensar, minha boca fica cheia d’água.
Pronto, depois da minha última refeição, posso morrer feliz. E de barriga cheia…


Muito bem, feliz retorno!!! de volta ao mundo dos blogueiros!!!!
A pizza pepperoni e alcachofra, azeitonas pretas e queijo no Beijnkorf de Amsterdam, é uma especialidade italiana muito procurada, quem sabe, alguém leu o livro? bem, eu nem lembro se li, mas conheço…e ontem ao fazer um lanche lá no tal magazzine também escolhi essa pizza que muito gosto, aliás, gostamos, pois o marido também comeu…
Eu não entendi foi o vinho tinto vagabundo… será como aqueles brasileiro denominados de “sangue de boi” que são da pior espécie e tem uma gosto “rascante” no final??? se for, está entendido…
Vocês foram a San Sebastian e Vitoria Gastez?? são lugares lindos na Galícia…
Na terça-feira seguimos viagem a China: Pequim, Xian, Shanghai, pela segunda vez e Macau e Hong Kong pela primeira vez. O marido já conhece esses lugares e já esteve lá em Macau algumas vezes. Vamos com dois amigos do Recife e para eles será a primeira vez.
Grande abraço,
Por: Francy e Carlos Guttierrez em 18/09/2011
às 1:11 pm
Legal Mineiro.
A Ana Maria Braga está preocupada com a concorrência.
Já estava com saudades de acordar no domingo e ter informações do mundo.
Fala para a Bel dizer como exatamente se faz o “Pulpo Galego”. Quero fazer aqui…..
Um abraço
Por: Toni em 19/09/2011
às 12:51 am