Em outubro de 2010, escrevi sobre o milésimo aniversário de Hanói, a capital do Vietnã (http://marcelopaniago.wordpress.com/2010/10/05/hanoi-%E2%80%93-1000-anos/) e, entre outras coisas, mencionei o seu trânsito caótico. E bota caótico nisso. Nas ruas da capital vietnamita, disputam espaço carros, que mostram um pouco da recente prosperidade desse país, táxis, bicicletas, pedestres, motocicletas e motonetas. Não há dados exatos, mas o número de motos em Hanói é enorme. Com certeza, não se contam aos milhares, mas aos milhões.
Na semana passada, a tive de participar de uma semana intensa de reuniões em Hanói. Reuniões longas e cansativas, números, orçamentos e intermináveis discussões. Na quarta-feira à tarde, uma pausa para relaxar e repor as energias. Foi organizado um passeio de bicicleta. Isso mesmo, fomos disputar com carros, caminhões e motos os escassos metros de rua de Hanói.
A aventura começou em frente ao belíssimo Sofitel Legend Metropole Hanoi, onde estávamos hospedados. Pontualmente à 3 da tarde, pouco mais de 20 corajosos ciclitas estavam ansiosos e prontos para começar a pedalar.
Escolhi a bicicleta, ajustei o capacete e pronto. Já nos primeiros metros do passeio, senti que enfrentar o pesado trânsito de um dia de semana não seria muito fácil. Mas seria extremamente excitante. Passamos por ruas estreitas, disputamos espaço com motos e carros, tivemos alguns sustos e ouvimos incontáveis buzinas. Enfim, experimentamos um pouco da caótica rotina das ruas de Hanói.
O mais interessante é que, em pouco mais de 15 minutos, a paisagem começa a mudar drasticamente.

Saem os carros e a motos, começam as plantações. Desaparecem a correria, a urgência e pressa e entra em cena a vida tranquila de uma cidade do interior. Sim, a poucos quilômetros do centro de Hanói, há uma vida de interior e passear por aquelas ruas estreitas, parecendo uma viagem no tempo, me deu um prazer intenso. As pessoas, talvez pouco acostumadas a tanto movimento, paravam para ver tantos ciclistas por ali. Devem ter ganho o dia.
Também passeamos por alguns belos lagos, passamos em frente aos monumentos mais importantes da cidade e, no final das contas, tive a sensação de que eu vi Hanói de perto. Pedalei por 25 km, senti o calor sufocante do final de junho e descobrir algumas esquinas escondidas daquela capital. Não tenho dúvidas de que foi muito melhor do que ver a cidade de dentro de um carro com ar condicionado, separado da realidade por um vidro.
Como não poderia deixar de ser, um grupo se perdeu. E, claro, eu estava entre os perdidos em Hanói. Não cheguei a ficar preocupado, pois sabia que acharia o caminho de volta para o hotel. Procuramos o guia por diversas ruas e, depois de meia hora, achamos o “coitado”, desesperado de preocupação, pois estava anoitecendo e ele sabia que, à noite, aquelas ruas se tornariam muito perigosas para ciclitas meio inexperientes. Mas tudo terminou sem maiores consequências. Apenas uma queda e alguns arranhões no joelho de uma das participantes.
No sábado, no encarramento da semana de reuniões, o anfitrião e organizador desse passeio distribuiu um certificado muito interessante onde estava escrito: This Certificate is given to Mr Marcelo Paniago who rode a bike in Hanoi at 6 pm and is still alive! (Este certificado é dado a Marcelo Paniago que andou de bicicleta em Hanói às 6 da tarde e ainda está vivo!). Definitivamente, isso resume tudo. A vida sem um pouco de risco não tem sabor.


Puxa vida, Hanói é assim tão perigosa??? pois tinha a melhor das impressões…….
Mas o passeio de bicicleta deve ter sido maravilhoso, notadamente ao sair do centro e andar por ruas onde os locais andam e habitam..
E por falar em Asia, em setembro vamos novamente a China…. com certeza muita coisa mudou desde 1999…………. só vendo para crer…
abs,
Por: guttierrezfrancy em 07/07/2011
às 9:47 pm