Bordeaux, na França, é a capital mundial do vinho. Naquela região, há mais de 100 mil hectares de vinhedos e cerca de 13 mil viticultores que produzem anualmente mais de 850 milhões de garrafas de vinho. Com certeza, vinhos para todos os gostos. A grande maioria é de vinho tinto, mas há notáveis vinhos brancos doces e brancos secos, rosé e até espumantes. Bordeaux também produz vinhos para todos os bolsos, de vinhos de mesa para o dia-a-dia, que custam nos supermercados daquela cidade pouco mais de 1 euro, até os mais caros e prestigiados vinhos do mundo.
A maior razão para o sucesso da produção vinícola é o ambiente excelente para o desenvolvimento de vinhedos. A base geológica do solo da região é de pedra calcária, o que representa um solo de estrutura rica em cálcio. Os rios Garonne e Dordogne, que irrigam a terra, e o clima litorâneo, que propicia umidade à atmosfera, criam um ambiente quase perfeito para a cultura de vinhedos. Não é de se admirar que as grandes adegas do planeta estão cheias de vinhos produzidos ali.
Toda essa introdução wikipediana tem um motivo. Na semana passada, tive alguns compromissos profissionais exatamente em Bordeaux e ao final de um longo e exaustivo dia de trabalho, fomos levados para um local especializado em comércio e degustação de vinhos. Vou relatar um pouco dessa viagem ao mundo das cores, dos odores e dos sabores vinícolas.
Chegamos ao local (Winery) e fomos recebidos por uma simpática sommelier chamada Candice que nos explicou que faríamos uma degustação baseada no método desenvolvido por Frédéric Brochet, um enólogo e especialista em análise sensorial, em que cada participante experimenta 6 diferentes tipos marcantes de vinho e avalia, com a ajuda de um controle remoto, cada um deles. Com base nessas respostas e mais algumas perguntas relacionadas, o teste é capaz de definir o perfil do cliente e, claro, ajudar a fazer a escolha certa ao comprar vinho.
Sem demora, fomos levados até uma sala com mesas compridas. Na frente de cada participante havia 3 taças e uma espécie de disco com os aromas dos vinhos. Candice explicou que há três imprescíndiveis passos no degustação de vinhos. Primeiro, a avaliação visual. Observar a cor dos vinhos, que muda de tonalidade quando envelhecem, dá uma ideia de sua idade. Além disso, quando se inclina a taça, aparecem algumas “lágrimas” que indicam o teor alcoólico da bebida. Essa parte foi fácil.
O segundo passo é a avaliação olfatória e, para isso, é usado o disco dos aromas. A cada vinho, Candice descrevia os aromas que ela percebia. Eu tentei, mas não consegui identificar nada. Aromas como floral, frutado, apimentado, queimado, mineral e outros passaram completamente despercebidos pelo meu narigão. Para mim, tudo tinha cheiro de vinho.
O terceiro passo é a avaliação gustativa. Acredito que essa seja a parte mais importante do processo e ela é dividida em três fases: ataque, sabores & sensações e, finalmente, o acabamento. Depois de experimentar cada um dos vinhos, fazia-se a avaliação com a ajuda do pequeno controle remoto: adorei, gostei, mais ou menos, não gostei e detestei.
No final, os dados foram computados e o perfil de cada um dos participantes foi entregue. Meu perfil foi Sensual ascendente Eterno, seja lá o que se signifique. Além disso, há um longo texto descrevendo os meus tipos preferidos de vinho. Fiquei sabendo que eu gosto de vinhos em seu pico, que gosto de odores frutados, maturados à perfeição, sem muito tanino e sem muita acidez e bla-bla-bla.
Mesmo depois de fazer esse interessante exercício de degustação, vou continuar usando meu método simples e eficaz para escolher vinhos: cabe ou não cabe no meu bolso. Talvez o meu perfil seja Sensual ascendente Pão-duro.


Mineiro Pão Duro, vc questionou se eles conheciam o nosso famoso “sangue de boi”? Com notas frutadas e de tanino baixo?
Muito legal. Divertido.
Boa semana para voces.
Por: Toni em 29/05/2011
às 1:11 pm
Olá Marcelo, tudo bem? E eu curtindo o meu modesto Miolo das vinhas do Rio Grande do Sul, enquanto vc está apenas degustando vinhos franceses, podemos discutir essa situaçao, no Moreiras Bar aqui em Viçosa, mas, vou degustar algumas pingas!!! Abraços Fabio
Por: Fabio em 13/06/2011
às 7:56 pm