Publicado por: marcelopaniago | 15/05/2011

Currumbin Wildlife Sanctuary – Gold Coast – Austrália

O dia 22 de dezembro de 2010 amanheceu nublado e com previsão de chuva. Nada do que se espera da quase sempre ensolarada Gold Coast, na Austrália. E, claro, isso dá uma preguiça de ir para a praia. Depois de alguma discussão, decidimos visitar o Currumbin Wildlife Sanctuary, um parque onde estão expostos animais da fauna australiana.

Com alguns casacos na bolsa, sorrisos de felicidade e excitação e muita disposição, minhas duas filhas, Ana Clara e Ana Laura, minha esposa Bel e eu  fomos ver o coala de perto. Do hotel, pegamos um ônibus e meia hora mais tarde estávamos na entrada do parque. É uma delícia voltar a ser criança.

Currumbin Wildlife Sanctuary não é apenas um zoológico, onde animais ficam expostos em jaulas e os visitantes passeiam e fazem fotos. Esse parque tem diversas atrações interessantes como alimentar cangurus, fazer foto com um pequeno crocodilo, assistir ao show das aves, a dança típica dos aborígenes e muito mais. Mesmo com tantas atrações, o parque não é muito grande, mas há um trenzinho, muito parecido com um brinquedo, que ajuda os visitantes a se locomoverem. A locomotiva é pequeninha, mas o maquinista é de carne e osso. Quando o vi, não pude evitar e pensar o quanto deve ser difícil passar o dia encolhido num trenzinho de brinquedo. Ossos o ofício…

No decorrer do dia, vimos que a previsão do tempo estava certa e uma chuva fininha começou a cair. Esse foi o lado ruim. O lado bom foi que tivemos o parque quase que exclusivamente para nós. Não havia filas ou correria e pudemos aproveitar muito.  Mesmo com essa chuvinha, passeamos por todas as áreas e vimos os vários animais em exposição: cangurus, coalas, demônio da Tasmânia, dingo australiano, uma espécie de lobo que mais parece um cachorro vira-latas, esquilos, cobras, lagartos, crocodilos e aves dos mais diversos tamanhos e cores.

Entre um animal e outro, vitamos uma das mais interessantes atrações daquele parque: o hospital veterinário. Isso foi fantástico, principalmente porque minha esposa e eu somos Médicos Veterinários. Ficamos encantados com a estrutura daquele pequeno hospital. Tudo muito moderno e bem montado. Conversamos bastante com uma das voluntárias do parque e ela gentilmente nos explicou a dinâmica de atendimento de animais. Definitivamente, coisa de primeiro mundo! Entretanto, quem visita um parque como esses quer ver os animais sadios e, assim, continuamos nossa visita.

A grande atração é, sem dúvida, ver de perto, de muito perto, os coalas. Esses bichos são tão dóceis e delicados que até parecem de pelúcia. É difícil parar de olhar. Fiz dezenas de fotos enquanto minhas filhas exclamavam: “que bonitinho”, “que fofura”, “que lindo”, “quero um para mim” e coisas do gênero. Tenho de admitir que é realmente difícil ficar indiferente à docilidade e à fofura desses lindos mamiferos preguiçosos. Uma curiosidade que aprendemos no Currumin Park é que os coalas não bebem água. Eta cultura inútil!

O demônio da Tasmânia (ou diabo da Tasmânia) não é tão demoníaco como o nome sugere. Achei até que é um bichinho tímido e simpático. Parece uma mistura de cachorro com rato. Na realidade, ficamos sabendo que população selvagem dessa espécie, na Ilha da Tasmânia, está enfrentando um problema seríssimo: um câncer facial (Tumor facial do diabo-da-tasmânia ou Cancro facial do diabo-da-tasmânia – TFDT). Essa doença, descrita pela primeira vez em 1996, é transmitida por mordidas, que podem ocorrer durante brigas ou mesmo durante o acasalamento, e está dizimando a população selvagem dessa espécie, pois os tumores faciais dificultam a alimentação e os animais afetados morrem de fome. Estima-se que a população de demônios da Tasmânia já diminuiu 70% desde 1996 e, pior ainda, números recentes mostram uma taxa de infecção de 80% na população.

Animais livres da doença, que são mantidos em alguns centros de pesquisa, como o Currumbim Park, poderão, eventualmente, serem reintroduzidos no ambiente em caso de um desastre ecológico.

Como o parque fica na Austrália, não poderiam faltar os cangurus. E eles não decepcionaram e estavam presentes. Há uma imensa área com uns 50 cangurus. Ou mais. Todos eles muito dóceis que é possível alimentá-los e até fazer um carinho. Minha filha caçula, a princípio meio receosa, logo perdeu o medo e começou a brincar com os cangurus. Como estava chovendo, eles estavam molhados e o cheiro não era muito agradável. Mas tudo isso faz parte da felicidade de voltar a ser criança. Valeu.

Para terminar, decidi fazer o Green Challenge (Desafio Verde), que pode ser descrito como uma aventura no alto das árvores, percorrendo uma espécie de trilha feita de cordas. São sessenta e cinco desafios, ao longo de quatro cursos distintos e com diferentes graus de dificuldade. Convidei a minha filha mais velha para me acompanhar. Ela hesitou, ficou com medo, não quis ir, mas o “Estatuto dos Direitos da Criança e do Adolescente” não funciona muito bem com as minhas filhas. Comprei os ingressos e fomos nos preparar. Colocamos o macacão, assistimos ao vídeo com as normas de segurança de praxe e, enfim, estávamos prontos para brincar de Tarzan.

Ela continuou reclamando, mas foi. Decidimos fazer os dois primeiros “níveis de dificuldade”. O primeiro foi moleza. O segundo tinha algumas partes bastante desafiadoras. Numa delas, a mais de 20 metros de altura, a trilha era feita com degraus de madeira presos por cordas. A cada passo, os troncos de madeira se mexiam para trás e para frente, dificultando sobremaneira o equilíbrio. Além disso, as distâncias entres os degraus não era uniforme e, em algumas partes, tinha-se a impressão de que seria impossível continuar. Minha filha estava na minha frente e eu via a dificuldade que ela estava enfrentando. Mas eu só tinha olhos para a garra com que ela encarava aquilo. Vi que ela estava quase chorando, mas ela foi em frente. E eu, o pai mais orgulhoso do mundo, a seguia de perto. No final, apesar de tudo, ela estava feliz por ter vencido os seus medos e feito uma aventura diferente. E eu, babando de felicidade.

No final da visita, havia a possibilidade de tirar uma foto segurando o Coala. Como na propaganda do cartão de crédito, isso não tem preço. Opa! Na verdade, tem sim e não é nada barato: 30 dólares australianos (~ R$100,00) por uma foto. Mas vale a pena. É uma recordação incrível. Na foto da família, a honra de segurar o bichano coube à Ana Clara. Talvez esse tenha sido o prêmio por ela ter vencido o “Green Challenge”.

MAIS ALGUMAS FOTOS:

Lorikeet – um passarinho coloridíssimo e muito dócil

Coala – a grande atração do Currumbin Wildlife Sanctuary

Bicho preguiçoso e lindo.

Foi difícil parar de fotografar os coalas. Eles são mesmo fotogênicos

Wombat – tão bonito quando os coalas

O demônio da Tasmânia não parece ser tão “demoníaco” assim...

Este lagarto estava solto pelo parque. Meio assustador, né?

Canguru – Animal símbolo da Austrália. Mas o bicho é feio...

Minhas filhas e um canguru (literalmente posando para a foto)

Coruja exibida durante o show das aves

Mais uma ave – falcão? – mostrada durante o show das aves

Trenzinho para transportar visitantes dentro do parque

Maquinista do trenzinho. Conforto não deve ser prioridade

Minha filha Ana Clara e eu prontos para o “Green Challenge”

“Green Challenge” - Dificuldades para todas as idades

Depois do Green Challange – O pai mais orgulhoso do mundo

“Green Challenge” - Ana Laura, a próxima vítima...

Currumbin Wildlife Sanctuary – Diversão para toda a família


Respostas

  1. Que aventura!!!
    Adoramos conhecer esse park, deve ser mesmo muito bonito… E quanto aos coalas, gostamos muito de vê-los nos documentários do Canal Animal Planet.
    Muito prazer em conhecer também a tua família e que filhas lindas!!!
    abs,


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