
Em 1938, um grupo de expatriados britânicos e funcionários da então colônia inglesa que moravam nas dependências do Selangor Club Annex, em Kuala Lumpur, na Malásia, inventaram um novo esporte, o Hash. A origem desse nome é, no mínimo, curiosa. Como a comida servida naquele clube era muito monótona, eles apelidaram o local de Hash House ou Casa do Hash (Hash é uma mistura de carne, batata e vegetais, tudo cortado em pedacinhos e que pode ser frito ou cozido). Mais tarde, com a necessidade de dar um nome ao grupo de corredores daquele clube, eles adotaram o nome Hash House Harriers.
O Hash House Harriers, também conhecido como “HHH” ou “H3″ ou apenas como Hash, é um grupo informal que se reúne regularmente para uma atividade física, que pode ser caminhada ou corrida, mas que é sempre seguida de sessões de bebida, especialmente de cerveja. Uma definição muito usada para o grupo é “a drinking group with a running problem“ (um grupo de bebida com um problema de corrida). Hoje, esse esporte está espalhado pelo mundo inteiro, muitos outros grupos foram criados e, como não poderia deixar de ser, continua a ser muito praticado na Malásia.
Assim, quando me mudei para Kuala Lumpur, em 2004, uma colega de empresa me convidou para participar desse tal de Hash. Achei a idéia boa e fui. Ela me explicou as regras básicas. Eu só teria de seguir uma trilha marcada com pedaços de papel dentro de uma mata. Depois de alguns quilômetros, a trilha sumiria e eu teria de procurar pelas as redondezas a continuação da trilha. Eu deveria seguir aquela nova trilha até que ela desaparecesse novamente. E assim sucessivamente. Ela me avisou que o único perigo era que eu me perdesse durante a corrida e, caso isso acontecesse, eu deveria esperar em qualquer ponto da trilha, pois alguém faria o resgate.
Eu me perder? De jeito nenhum, pensei. É só seguir alguns papeizinhos. Moleza! Bom, às 4 horas da tarde de um sábado muito quente, eu estava pronto para começar o meu primeiro Hash. Nessa atividade, algumas pessoas apenas caminham, outras, correm. Eu, claro, juntei-me ao grupo dos corredores. E comecei muito animado. Os papéis estavam bem visíveis e eu me sentia cada vez mais entusiasmado. Depois de aproximadamente uma hora na mata, notei que eu estava sozinho. Não havia nenhum outro participante por perto. E começou a chover e a escurecer. Os papéis desapareceram. Eu não conseguia ver trilha nenhuma. Definitivamente, eu estava perdido. Bateu um desespero terrível. Eu só sabia que teria de sair da mata, mas não tinha a menor idéia da direção a seguir. Corri por alguns minutos e, então, vi dois outros corredores. Ufa! Eles também estavam perdidos, mas tinham uma boa idéia para onde ir. E isso foi o suficiente. Chegamos ao ponto de encontro com muito atraso, mas sem maiores problemas. A coitada da minha amiga estava desesperada.
Apesar dessa primeira experiência meio assustadora, gostei do tal do Hash e juntei-me a um dos grupos existentes em Kuala Lumpur. Todos os sábados, pontualmente às 4 da tarde, começávamos a seguir as trilhas de papel. Num desses encontros, minha amiga me mostrou um dos participantes do grupo e perguntou se eu sabia quem ele era. Eu não fazia a menor idéia. Ela ficou surpresa, talvez um pouco decepcionada, pois sabia que eu gosto muito de Fórmula 1. Aquele cara ali no nosso grupo era Alex Yoong, companheiro de equipe de Fernando Alonso na Minardi e o único piloto da Malásia a correr na mais importante categoria do automobilismo mundial. Meu grupo era chique, né?
Gostei tanto do Hash que decidi apresentar minhas filhas a essa atividade. A primeira experiência da Ana Clara, então com 11 anos de idade, foi um tanto desesperadora. Apesar de existir um grupo de “Junior Hash”, especial para crianças, eu a levei para participar de um Hash de adultos. Para treinar, fizemos algumas trilhas numa pequena floresta perto do nosso apartamento e ela gostou. Afinal, o grande dia chegou. Ela estava meio apreensiva, mas cheia de vontade de ir. E o pai, todo orgulhoso. Começamos a caminhada. Depois de alguns quilômetros, ficamos um pouco para trás do grupo e tivemos de correr. Ela caiu e machucou o joelho. Chorou, claro.
- “Pai, quero voltar, meu joelho tá doendo e buá- buá- buá, tá saindo sangue, buá- buá- buá”.
A coitadinha da minha filha chorou muito e eu, cheio de psicologia infantil, falei que iríamos continuar e pronto. Mais alguns quilômetros e um temporal começou a cair. Ficou quase impossível subir as encostas íngremes dos morros. Conseguíamos subir um pouco e escorregávamos. Caíamos. Ela chorava. Várias vezes a Ana Clara se segurou em ramos com espinhos. Ela chorava ainda mais e dizia que queria ir embora. Meu coração estava doendo, mas tínhamos de prosseguir. E ela continuou firme. Ao final, estávamos esgotados, ensopados, machucados, mas extremamente felizes. E eu me sentia o pai mais feliz e orgulhoso do mundo.

O pai mais feliz do mundo
Para batizar a minha filha mais nova, Ana Laura, então com 6 anos de idade, escolhi o “Junior Hash”. Ela não estava muito animada, preferia ficar assistindo a desenhos animados na TV ou ir para a piscina, mas minha psicologia infantil funcionou de novo e ela não teve escollha. No início, ela reclamou um pouco, fez cara feia, disse que não estava gostando. Depois de 15 minutos, ela já estava completamente envolvida por aquela brincadeira, já queria achar os papéis e, no final, adorou a nossa “aventura”. Mais uma para o meu time.
Bom, agora só falta convencer a Bel. O problema é que minha psicologia não funciona muito bem com ela. Tá difícil…
MAIS ALGUMAS FOTOS DO HASH COM MINHAS FILHAS

Ana Laura no Junior Hash

Junior Hash - Março de 2009

Diversão na mata

Ana Laura e eu no Junior Hash

Felicidade e orgulho
Que pai maluco meu Deus!!!!!!!!
rs rs rs rs
Por: Fátima Lópes em 02/09/2009
às 1:25 am
Acho que vou levar meu medroso filho Ciro de 13 anos(Zé computador) e minha filha “prafrentex” Barbara de cinco (já anda a cavalo).
Por: Fabio Lucio Barbosa em 03/09/2009
às 11:20 am
oieee Paniago!!!!
é a bel da aviagen…
aameiii suas fotos…
um abraço
Por: Isabel em 02/11/2009
às 4:47 pm