Publicado por: marcelopaniago | 02/08/2009

Futebol, Futebol Americano e Beisebol

Chiefs jogando

Gosto muito de ir a estádios. Gosto da ansiedade que se sente antes do início da partida, gosto do ligeiro desconforto das arquibancadas duras, da proximidade com os jogadores, da possibilidade de xingar o juiz. Enfim, gosto daquela atmosfera única. Por isso, já estive diversas vezes nos mais importantes estádios do Brasil: Mineirão, Maracanã, Morumbi, Pacaembu e, porque não dizer, no grandioso Estádio Carlos Barbosa.

Há quase dez anos, numa noite de sábado, eu estava em São Paulo e o meu Vasco da Gama iria jogar contra a Portuguesa no Morumbi. Assim, convidei a Bel para assistir ao clássico do bacalhau. Jogaço com certeza, coisa de Primeira Divisão. Ela, só para me agradar, aceitou. É o amor! Assistimos à partida e o meu Vascão venceu por 2×1. Felicidade total. Depois do jogo, ao sairmos do estádio, vimos um daqueles vendedores ambulantes com as camisas de clubes de futebol penduradas num varal improvisado na calçada. Decidi comprar uma camisa do Vasco para minha filha Ana Clara, à época com pouco mais de 2 anos de idade. Segurei a camisa e, quando a mostrei para a Bel para que ela avaliasse se serviria, três ou quatro valentões, com camisas da Portuguesa, acharam que eu os estivesse provocando e vieram para cima de mim. Começaram a me agredir verbalmente e, por muito pouco, muito pouco mesmo, aqueles “decerebrados”, imbecis, estúpidos e ignorantes torcedores não me agrediram fisicamente na frente de minha esposa. Essa foi a última vez que pus os pés num estádio de futebol.

Futebol Americano

Mais recentemente, no dia 6 de novembro de 2005, um ensolarado domingo de outono, eu estava em Kansas City, nos Estados Unidos. Soube que haveria um jogo de futebol americano entre o Kansas City Chiefs e o Oklahoma Riders. Não tive dúvidas. Pedi informações na portaria do hotel e fui assistir àquele jogo.

Estadio lotadoO estádio Arrowhead estava completamente lotado. A torcida tingia as arquibancadas de vermelho, a cor do time local. Um barulho infernal, uma atmosfera fantástica.  A princípio não entendi o jogo, mas meu vizinho de cadeira foi gentil e paciente o bastante para me explicar suas regras básicas. Depois de algum tempo, comecei até a gostar daquele complicado jogo. E também a torcer pelo time da casa.

O jogo foi interessante, mas o final foi eletrizante. Jogo de Futebol AmericanoComo num filme de Hollywood, o Chiefs estava perdendo por 23 x 20 a menos de dois minutos do final. Nesse momento, um dos jogadores pegou aquela bola ovalada e correu um monte de yards e foi derrubado muito perto da linha final de defesa do time adversário. Agora, faltavam somente cerca de 5 segundos e o time da casa estava naquela formação de guerra característica desse jogo. Quando o jogo recomeçou, eu só vi que a bola foi passada para um jogador e ele saltou por cima de todos os defensores. No instante seguinte, a torcida foi ao delírio. Depois daquele touchdown, o KS Chiefs venceu por 27 x 23. Pensando bem, nem Hollywood faria um final tão emocionante. É ainda possível assistir ao resumo daquele jogo no endereço: http://www.nfl.com/gamecenter?game_id=28644&season=2005&displayPage=tab_gamecenter&week=REG9.

Embora o jogo tenha sido bacana, o mais interessante foi ficar envolvido por aquela atmosfera fantástica. Torcedores comendo cachorros-quentes enormes ou batatas fritas com queijo derretido e tomando litros de cerveja, crianças aprendendo a torcer pelo seu time de coração, cheerleaders com suas danças coreografadas, desfiles e outras atrações.  E nada de violência. Como resultado, famílias inteiras desfrutando uma agrádavel tarde de domingo.

Basebol

No dia 30 de maio de 2009, num sábado quente e ensolarado de primavera, eu estava novamente em Kansas City. Dessa vez, fiquei sabendo que haveria um jogo de beisebol na cidade. Kansas City Royals versus Chicago White Socks. Não hesitei e fui ao estádio Kauffman.

Estadio de beisebolMais uma vez, eu não entendia bulhufas do jogo. Eu já havia assistido a vários filmes que retratam esse esporte, e, para mim, tudo se resumia a um atirador, um rebatedor, cuspes, gestos e sinais variados e, por fim, jogadores correndo pelas diversas bases. Quando o jogo começou, percebi que era isso mesmo. Ou seja, não entendi nada. Meu vizinho de cadeira, um garoto de 12 ou 13 anos de idade, se esforçou para me explicar o básico, mas não consegui ver graça nenhuma. Em suma, beisebol é um jogo muito chato. Muito chato mesmo. Nem cheerleaders havia.

Da mesma forma que aconteceu no jogo entre o Kansas City Chiefs e o Oklahoma Riders, o estádio estava completamente tomado por torcedores. Famílas inteiras, muitas crianças e até bebês de colo. Estadio de beisebol 2Não pude evitar e fiquei pensando o que leva todas essas pessoas a um estádio nos EUA. A resposta é simples: esses jogos são uma forma de lazer saudável, segura e acessível para toda a familia. E por que isso não acontece no Brasil? Não é necessário ser um gênio para que se chegue à conclusão de que a violência nos estádios brasileiros é uma das principias razões para afastar os torcedores das arquibancadas. Eu nunca tive o prazer de levar as minhas filhas para assistirem a um jogo do Vasco e, honestamente, não tenho coragem de levá-las. Não quero arriscar a cruzar com “torcedores” como aqueles que descrevi no inicio dessa resenha.

Sei que a violência nos estádios é apenas um reflexo da violência que assola o país e, obviamente, tem causas muito complexas. Mas, inegavelmente, isso é uma pena. Para terminar, o Brasil vai sediar a Copa do Mundo em 2014. Será que poderemos assistir aos jogos sentados nas arquibancadas sem sermos agredidos? Ou teremos de nos resignar a torcer pelo Brasil na agradável companhia de Galvão Bueno?


Respostas

  1. que vida boa hem, Marcelo!!!
    vc nao trabalha nao???
    se tiver uma vaga ai me chama que estou doido pra sair dessa Viçosa rssss

    see you later


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