Barcelona é o bicho. Pensei em vários outros adjetivos para definir essa cidade: linda, fascinante, moderna, fantástica, incrível, encantadora, fervilhante. Na realidade, Barcelona é a soma de tudo isso. Assim, acho que não há outra definição melhor para aquela cidade repleta de atrativos e com uma atmosfera vibrante. Barcelona é realmente o bicho!
Para os turistas, há atrações para os mais diversos gostos: Las Ramblas, o Pueblo Espanyol, a Catedral de Barcelona, as fontes de Montjuic, La Boqueria, o imenso Aquarium, La Pedrera (a casa Mila), Park Guell, o estádio do Barcelona com seu museu do futebol e muitas, muitas outras. Entretanto, a maior atração da cidade, visitada por mais de 2 milhões de pessoas por ano, é a Sagrada Família.
O Templo Expiatório da Sagrada Família, ou apenas Sagrada Família, é uma enorme catedral desenhada pelo arquiteto catalão Antonio Gaudí. O projeto de construção foi iniciado em 1882 e assumido por Gaudí em 1883, quando ele tinha 31 anos de idade. O Templo foi projetado para ter três grandes fachadas: da Natividade, quase terminada com Gaudí ainda em vida, a fachada da Paixão, iniciada em 1952, e a da Glória, ainda por ser construída.
Tive a oportunidade de visitar a Sagrada Família duas vezes, em 2000 e em 2007. Ainda me lembro bem da primeira vez que vi, de longe, aquela majestosa construção. A imponência de suas imensas torres me deixou de queixou caído. Fiquei maravilhado. Entretanto, ao chegar mais perto, comecei a achar a arquitetura um tanto estranha. Entrei naquele imenso templo com um ar de surpresa. Eu realmente esperava algo lindo e aquela catedral não era exatamente o que se espera de uma “Catedral”. Não dá para explicar. Durante minha visita, andei por todos os lados, desviei-me de andaimes, observei cada detalhe daquela templo. Subi até o topo das torres usando um pequeno elevador que certamente não foi projetado por Gaudí e, modernidades à parte, a vista daquele ponto é muito bonita.
Depois de horas de visita, não mudei minha opinião. A Sagrada Família é uma construção, no mínimo, estranha. Para olhos incultos como os meus, é até feia. Parece que nada foi planejado, há diferenças significativas nas fachadas, há estátuas e decorações de gosto bastante duvidoso, não há muita simetria e as “aquelas coisas ou enfeites” existentes no topo das torres são simplesmente horríveis. Para resumir, visto de perto, achei aquele templo muito feio mesmo.
Assim, qual o motivo que levaria um templo “feio” se tornar algo tão apreciado por todos? Bom, talvez isso reflita a genialidade de Galdí. Ele conseguiu fazer com que aquela estrutura estranhíssima, disforme e com vários estilos se tornasse, em conjunto, maravilhosa. Maravilhosa mesmo.
De fazer cair o queixo. É simplesmente impossível ficar alheio àquela obra de arte. Genialidade, definitivamente, é para poucos.
Por falar no genial arquiteto Galdí, no dia 7 de junho de 1926, depois de trabalhar por 40 anos na construção da Sagrada Família, ele foi atropelado por um bonde e, por causa de suas roupas velhas e dos bolsos vazios, vários motoristas de taxi se recusaram a transportá-lo para um hospital, com receio de que aquele pobre homem fosse incapaz de pagar a corrida. Assim, ele acabou sendo levado para um hospital que atendia à população mais carente de Barcelona e, ali, ninguém o reconheceu. Somente no dia seguinte, alguns de seus amigos o acharam e, claro, tentaram levá-lo para um hospital melhor. Galdí recusou. Ele morreu três dias depois, em 10 de junho, aos 73 anos de idade. Seu corpo está enterrado no meio da Sagrada Família, sua obra-prima.
Para terminar esse relato em alto astral, em 2008, Wood Allen usou Barcelona como pano de fundo para contar a história de uma complicada trama amorosa no filme Vicky Cristina Barcelona. O grande cineasta, mesmo em tomadas curtas e com planos relativamente fechados, mostrou alguns dos mais conhecidos cartões postais da cidade e conseguiu transmitir os encantos e a atmosfera mágica de um verão em Barcelona. Vale a pena assistir a esse filme. Vale a pena conferir que Barcelona é o bicho!























































Exército de terracota, Guerreiros de Xi’an ou ainda Exército do imperador Qin. Esses são os nomes mais comuns dados à fabulosa coleção de mais de 8000 figuras de guerreiros e cavalos feitos em terracota, em tamanho natural, encontrada próxima do mausoléu do primeiro imperador da China, Qin Shihuang. Essas figuras, enterradas em 209-210 aC, variavam em peso, indumentária e penteado, de acordo com a patente. A pintura da face, expressão facial individualizada e as armas e armaduras reais utilizadas criavam uma aparência realista e mostravam o poder de um monarca que podia ordenar a construção de tão monumental empreitada.
Em março de 1974, alguns agricultores escavavam um poço de água no condado de Lintong, a 35 km de Xi’an e, ao invés de água, eles acharam um tesouro. Um tesouro da humanidade. Eu imagino a surpresa que aqueles homens simples tiveram ao encontrar aquelas estátuas. Em dezembro de 1987, esse sítio foi declarado Patrimônio da Humanidade (World Heritage) pela UNESCO e hoje é uma das mais importantes atrações turísticas daquele país.






Já em 1521, quando a expedição de circunavegação de Fernando de Magalhães chegou àquelas ilhas, o escrivão Antônio Pigafetta relatou em seu diário: “Eles mantêm grandes galos que nunca são comidos, mas são mantidos com a finalidade de lutar. Apostas pesadas são feitas durante a luta e são pagas ao proprietário da ave vencedora”. Pouco mudou nesses quase 500 anos.

Uma das atrações de que mais gostei naquele país foi visitar o Mercado Flutuante (Floating Market) de Damnoen Saduak, localizado cerca de 100 km de Bancoc. Nesse mercado, vê-se uma forma antiga e muito tradicional de vender e comprar frutas, vegetais, carne, legumes e até alguns utensílios domésticos. Tudo é comercializado em pequenos barcos. Sem dúvida, aquela foi uma das mais interessantes formas de comércio que já tive a oportunidade de conhecer.
Esses canais foram construídos em 1866 por ordem de Sua Majestade, o Rei, com o objetivo de melhorar as comunicações naquela província. Naquele ponto, toma-se uma lancha voadora, daquelas que podem ser vistas no filme “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro”, estrelado por Roger Moore e, após cerca de meia hora de passeio, chega-se ao Mercado Flutuante. A primeira impressão é incrível. Dezenas, talvez centenas, de barcos cheios de frutas, vegetais, carne, legumes, bugigangas, enfim, tudo, disputam espaço, e compradores, naquele pequeno canal. Há uma atmosfera muito bonita, coloridíssima, barulhenta e cheia de vida. Hoje, claro, há lojas vendendo os inevitáveis e onipresentes produtos “Made in China”, mas aquele ambiente ainda traz alguma coisa de uma viagem ao passado.
Na verdade, gostei de cada minuto que passei naquele local. Havia um barco numa das margens do canal e dentro dele havia duas cobras imensas. O objetivo, claro, era “alugá-las” para que turistas mais corajosos pudessem tirar algumas fotos com elas. Não sou corajoso, mas a Bel insistiu e eu coloquei as cobras nos ombros. Acho que a foto ao lado mostra bem o pavor que eu senti quando segurei aqueles répteis imensos, pesados e, por que não dizer, repugnantes. Esse negócio de segurar a cobra definitivamente não é comigo.








A primeira vez que vi tal estrutura foi na Ilha de Langkawi, na Malásia. Durante um passeio nos manguezais daquela ilha, o barco em que a Bel e eu estávamos passou por uma dessas vilas onde havia alguns barcos-moradia e uma fazenda de peixes (“fish farm”). Era uma vila pequena, sem muitos atrativos, mas ficamos impressionados com a fazenda de peixes. Na verdade, era apenas um local onde diversas espécies de peixes eram mantidas em pequenos cercados para que turistas pudessem obervá-los, alimentá-los e, se quisessem, até comprar peixes bem frescos. Havia um cercado com algumas arraias e alimentá-las foi, ao mesmo tempo, excitante e amedrontador.
Durante uma visita a Bangladesh, vi uma aglomeração de barcos na beira de um rio. Mr Rhaman, meu anfitrião naquele país, parou o carro para que eu pudesse conhecer um pouco mais aquele modo de vida. Decidimos fazer uma rápida visita e a miséria e o sofrimento que vi estampados nos rostos precocemente envelhecidos foi de cortar o coração. Apesar de toda a pobreza, sorrisos nos faziam bem-vindos, mas ver famílias inteiras, crianças e velhos, vivendo em pequenos barcos, sem as mínimas condições de higiene e conforto, foi muito triste. Imaginar que tudo o que aquelas famílias possuiam cabia dentro de uma pequena embarcação foi depressivo até. Saí daquela vila com um nó na garganta.
A mais completa vila flutuante que já visitei está localizada em Siem Reap, no Cambódia. Naquela cidade, além dos templos localizados no Parque Arqueológico de Angkor, é quase obrigatória uma visita à famosa vila que está localizada nas proximidades do lago Tonle Sap. Ao chegar ao local, aluga-se um barco e navega-se no canal de águas barrentas até o lago. Logo após iniciar a pequena viagem de barco, já é possível observar todas as estruturas flutuantes: casas (casas-barco), escola com uma quadra de basquete, oficinas para barcos, chiqueiro, pequenos armazéns e até uma igreja católica. Tudo, ou quase tudo, que se espera ver numa cidade normal estava presente naquela vila flutuante.
É inegável que visitar essa vila flutuante seja um passeio interessante, pois a forma de vida é completamente diferente do que conhecemos. Mas é também verdade que a pobreza do lugar é deprimente. Crianças sentadas em bacias de plástico como se fossem pequenos barcos a remo estão por toda parte brigando por um trocado. Outras, vendem bananas e refrigerantes ou apenas brincam, alheias à miséria que as cerca. É triste.