Em março de 2008, visitei uma área de desmanche de navios em Chittagong, Bangladesh, e relatei aquela experiência na postagem A Ver Navios…, publicada em abril (http://marcelopaniago.wordpress.com/2009/04/05/a-ver-navios).
Mais recentemente, a revista Time do dia 5 de outubro de 2009, em edição especial sobre os Heróis do Meio Ambiente, publicou uma reportagem assinada por Krista Mahr a respeito da advogada Syeda Rizwana Hasan e de sua luta contra a indústria de desmanche de navios naquele país. Hoje, vou transcrever a matéria publicada naquela revista. A tradução não é perfeita, mas tentei ser o mais fiel possível ao texto.

A cada manhã, nas praias de Chitagong, cerca de 15000 homens vão para o trabalho sabendo que eles podem morrer naquele dia. Em turnos de 16 horas, os trabalhadores da maior zona de desmanche de navios de Bangladesh são enviados, quase sem proteção ou treinamento, para navios velhos vindos de outra nação qualquer para desmontá-los à mão. Dentro dos navios, eles enfrentam uma densa fumaça preta proveniente dos maçaricos usados para cortar o metal, gases instáveis, asbestos, chumbo e mercúrio. De acordo com algumas estimativas, um desmontador de navios morre todos os dias devido a explosões, fogo ou por ser atingido por metais nos estaleiros do sudeste da Ásia. Aqueles que sobrevivem enfrentam maior risco de câncer e outras doenças. A maioria dos desmontadores de navios trabalham por 5 ou 6 anos antes de retornar para suas vilas, jovens homens velhos, muito desgastados ou doentes para poderem se sustentar.
Syeda Rizwana Hasan, 41, é uma das poucas advogadas para esses homens – e as praias onde os navios contaminados vão parar. Como Chefe-Executivo da Associação dos Advogados Ambientalistas de Bangladesh (BELA*) nos últimos 6 anos, Hasan tem lutado para trazer melhores regulamentos ambientais e trabalhistas para as 36 áreas de desmanche de navios onde, ela diz, “ninguém está presente” para assugurar que as leis trabalhistas sejam seguidas ou as normas internacionais contra despejo de lixo tóxico sejam obedecidas. Enquanto os cerca de 150 navios que passam pelos desmanches todos os anos geram os tão necessários renda e empregos para Bangladesh, Hasan diz que o governo não tem “levado em consideração o outro argumento: é melhor estar desempregado do que ter um emprego que irá lhe causar câncer.”
O trabalho de Hasan nunca foi tão importante. Como o comércio global diminuiu no ano passado, as companhias “aposentaram” mais e mais navios e os enviaram para serem desmanchados. Os crescentes custos ambientais e trabalhistas já estavam fazendo com que empresas na França, Grécia, Japão e Holanda, entre outros, terceirizassem mais esse trabalho difícil. Esse negócio extra tem aumentado o número de crianças trabalhadoras. Um quarto da força de trabalho dos desmanches de navios de Bangladesh tem menos que a idade legal permitida para trabalhar que é de 18 anos, de acordo com Muhammed Ali Shahin, da ONG Plataform on Shipbreaking com sede em Bruxelas. “Crianças são mais fáceis de serem exploradas” diz Shanin. “Você pode forçá-las a fazer o que você quiser”.
O impacto ambiental é não menos dramático. Em 2003, Hasan pediu à Suprema Corte de Bangladesh para certificar que todos os navios que entrassem no país para serem desmontados estivessem livres de toxinas. Em março, a corte ordenou o fechamento de todos os desmanches que estivessem operando sem a licença ambiental do governo – em outras palavras, todos eles. A corte também impôs novas restrições ordenando que navios identificados como contaminados com produtos químicos danosos fossem impedidos de entrar em Bangladesh; todos os navios permitidos têm agora de ser “pré-limpos” para toxinas.
Essas vitórias – e o fato de que Hasan ganhou um prêmio Goldman esse ano – têm incomodado os inimigos da ativista. Hasan e Shahin viram cartazes em alguns desmanches ameaçando “quebrar os ossos” daqueles que lutam por regulamentos mais rigorosos. A Suprema Corte também voltou atrás com relação à sua própria decisão a respeito dos desmanches que não seguem a legislação – uma decisão que Hasan está lutando contra na corte de apelações. Ela parou de visitar os desmanches por causa dos riscos, mas diz que as ameaças dos oponentes não vão fazê-la parar. “Eu não quero que o mundo pense em Bangladesh como um depósito de lixo”, ela diz. “Isso é contra minha dignidade. Isso é contra a dignidade da minha nação e a dignidade das pessoas”.
* BELA – Bangladesh Environmental Laywers Association






Parece que rezavam e pediam proteção. Quando a luta era iniciada, havia chutes, socos, mais chutes e até um pouco de sangue. Como no boxe tradicional, as lutas são divididas em “rounds”. A cada intervalo, os treinadores passavam algumas instruções para seus pupilos e a pancadaria continuava. Mais chutes e mais socos. No final das lutas, um dos lutadores era proclamado o ganhador. Naquela noite, houve somente um nocaute. Um dos lutadores perdeu os sentidos e teve de ser socorrido pelos médicos de plantão. Após assistir a alguns combates, fiquei com a impressão de que esse esporte é até mais violento que o boxe tradicional. Por fim, depois de terminadas as lutas, os turistas eram levados aos camarins para conhecer os lutadores e tirar algumas fotos com eles. E comigo não foi diferente. Fui levado até lá e fiz a foto. Claro que se paga alguma coisa para ter essa recordação.
que aconteceu com um lutador de boxe tailandês. Um menino chamado Parinya Charoenphol, popularmente conhecido como Nong Thoom, depois de viver um curto período como um monge budista, decidiu ser boxeador. Seu objetivo era ganhar dinheiro para ajudar sua família e pagar a cirurgia de mudança de sexo. Sim, ele queria se tornar uma mulher. A sua vida começou a mudar quando, em fevereiro de 1998, ele conseguiu uma vitória no Lumpini Boxing Stadium em Bancoc, considerado o templo máximo desse esporte. A imprensa local ficou intrigada com a aquela situação: um garoto de 16 anos, usando maquilagem, ganhando de um oponente muito mais musculoso e, depois da vitória, beijando-o na face. Ele ganhou notoriedade e suas lutas passaram a atrair mais e mais gente.
Em 1999, Nong Thoom abandonou os ringues e se submeteu à cirurgia de mudança de sexo. Mais recentemente, em 2003, essa estória virou um filme chamado “A Beautiful Boxer”. Com certeza, a mocinha aí do lado é boa de briga. Quem vai querer encarar?
Em 1975, um sujeito meio maluco chamado Paul Theroux, apaixonado confesso por trens, decidiu viajar pela Ásia usando apenas esse meio de transporte. Saindo de Londres, ele passou países tão diversos como Turquia, Irã, Paquistão, Índia, Vietnã, Malásia, Japão e outros, terminando essa imensa jornada, depois de mais de três meses, a bordo do famoso Expresso Transiberiano. Ele descreve, com detalhes, essa viagem no livro O Grande Bazar Ferroviário – De Trem pela Ásia, publicado pela Editora Objetiva. Recentemente, li esse livro e, enquanto eu saboreava aquelas narrativas, comecei a pensar sobre as viagens de trem que eu já havia feito. Não são muitas nem tão interessantes quanto aquelas descritas no livro, mas vou aqui relatar algumas.
Isso obviamente ganhou as manchetes mundiais. Cinquenta quilômetros debaixo do mar. Claro que esse fato estimulou a minha imaginação. Comprei a passagem para o Eurostar e fui para a imensa Vitoria Station. Ansiedade pura. Aquela seria a primeira vez que eu iria a Paris e, ainda por cima, nesse trem. Embarquei. Num acento na janela, pois eu queria ver tudo. Tudo mesmo. Na hora H …. Tchan, tchan, tchan! Eu não vi absolutamente nada. Nada mesmo. Eu apenas sabia que o trem estava dentro de um túnel. E foi isso. Que decepção. Só escuridão, nada mais. Bom, para compensar, Paris foi uma maravilha. Um dia eu conto essa experiência.
Na Europa, viagens de trem são muito comuns. Na França, por exemplo, o trem TGV (Train à Grande Vitesse ou Trem Rápido, na língua de Camões) é confortável, veloz, muito prático e nunca atrasa. A não ser quando os franceses fazem greve. E meus amigos franceses sempre me dizem que a greve é o esporte nacional. Será? Bom, eu nunca enfrentei um atraso sequer no TGV naquele país. Quando a Bel e eu viajamos de Budapeste para Viena, em outubro de 2008, utilizamos o trem. Nada demais. Viagem rápida, confortável e sem sobressaltos. Nada digno de nota, mas é sempre interessante ter à disposição um meio de transporte barato, seguro, rápido, pontual e eficiente. Coisas do primeiro mundo.
O mais interessante daquelas longas viagens foi observar o comportamento dos chineses. Eles andam constantemente pelos corredores, fumam incessantemente nas conexões entre os vagões, falam alto como se estivessem sozinhos no trem, bebem, comem, fumam mais uma vez entre os trens, cospem por todos os lados. E eu simplesmente me divirto com tudo isso, pois é mais uma oportunidade de observar uma cultura tão diferente. Sempre que meus colegas chineses me perguntam se eu quero viajar de avião ou trem, eu não tenho a menor dúvida. Não sou louco por trens como Paul Theroux, mas algumas viagens de trem são simplesmente imperdíveis.
Numa outra oportunidade, dessa vez em Taiwan, em junho de 2008, depois de fazer uma palestra em Tainan, uma cidade localizada no sul daquela ilha, tive de voltar rapidamente para Taipei, no extremo norte do país, para pegar meu voo de volta para Kuala Lumpur. Não haveria tempo para a viagem de carro e então decidimos voltar de trem. Para minha surpresa, era um trem-bala capaz de atingir velocidades acima de 300 km/h. O interessante é que não se sente nada dentro do trem, apenas a paisagem passando muito depressa pela janela. Foi uma viagem bem rápida e confortável. Gostei muito daquela experiência.
Saímos do hotel às 7 da manhã. Minha primeira surpresa foi com a estrada em si. Na verdade, uma rodovia belíssima, muito bem sinalizada (placas escritas em inglês e em urdu, a língua local), com 3 pistas de cada lado, divididas por uma barreira de concreto, e, mais importante, extremamente bem conservada. De forma geral, a rodovia estava vazia. Poucos carros, alguns caminhões e quase nenhum ônibus.

Para descansar um pouco, paramos num desses postos de abastecimento de combustível e restaurante na beira da estrada. Mais uma boa surpresa. O restaurante era bastante limpo, o atendimento bom e o ambiente agradável. Sentamos numa mesa e pedi café. Depois de alguns minutos, um café horrível foi sevido, mas bebi assim mesmo. Voltamos para o carro e continuamos a viagem.
Assim, de Kunming voamos para Lijiang. Essa cidade, que foi incluída na lista de Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO em 1996, tem uma história de mais de 800 anos e era importante para o comércio de chá. Ao contrário de outras cidades chinesas, Lijiang não tem muros e sua disposição é peculiar. As quatro principais ruas desembocam numa grande e bonita praça e há canais com águas esverdeadas por toda a cidade velha. Eu nunca havia visto nada parecido. A conservação é extremamente bem feita. Na verdade, achei “bem feita demais”. Parece que foi até reconstruída. Outra coisa meio estranha é ver uma cidade histórica com tantos luminosos de bares e muita agitação. Mais ou menos como acontece em Ouro Preto. Apesar desses pormenores, foi uma experiência muito interessante.
Mais interessante ainda é que Lijiang situa-se aos pés do Monte Yulong, uma cadeia de montanhas que fica coberta de neve durante o ano inteiro. Esse foi o destino seguinte de nossa pequena viagem. Acordamos cedo, tomamos um rápido café da manha e fomos para aquelas montanhas com os picos brancos de neve. Na entrada do parque, onde os ingressos são comprados, vi que algumas pessoas alugavam casacos vermelhos muito grossos e pesados. Já comecei a sentir frio. Perguntei ao Jeff se eu deveria alugar um e ele, sem a menor hesitação, me disse que não. Acreditei no meu amigo.
Enfim, cheguei ao topo. A primeira sensação ao chegar a 4.500 m de altitude é uma pequena tontura devido à baixa pressão de oxigênio. É apenas um desconforto momentâneo, mas posso dizer que não é agradável. Depois de sentir essa tontura, entendi porque um spray com oxigênio é fartamente vendido naquela área. Eu não comprei, mas experimentei umas “fungadas” do tubo do meu colega e o alívio foi imediato. Ahhhhhh!
Geleiras são imensos blocos de gelo que são formados quando a neve cai por anos seguidos, permanece no mesmo local por tempo suficiente para congelar e consequentemente são comprimidas em grandes e grossas massas de gelo. No Monte Yulong, há 19 geleiras numa área total de 11 km2 e esses são os blocos de gelo localizados mais ao sul do hemisfério norte.








Assim, depois da visita ao Santuário, viajamos durante algumas horas por estradas íngremes e cheias de curvas até chegarmos a uma pequena estação de esqui. A viagem, em si, foi espetacular. A cada local bonito, parávamos os carros para apreciar a paisagem e, claro, fazer fotos. Depois de várias paradas, chegamos, enfim. Muito frio, neve por todo lado. Não tivemos dúvidas e fomos direto para o restaurante comer algo. Ainda me lembro do sabor delicioso do chocolate quente que tomei naquele lugar. Comi também um enorme e saboroso sanduíche de presunto parma. Depois de encher a pança, fomos desfrutar de algumas das atividades disponíveis naquela pequena estação de esqui.







A primeira “coisa” que chamou a minha atenção foi um monumento, no mínimo, original. O Spire of Dublin, localizado na O’Connell Street, é um monumento de aço inoxidável em forma de agulha, com 120 metros de altura e que foi concebido como parte do projeto de revitalização da área bem no coração de Dublin. Seu nome oficial é Monumento da Luz (na língua irlandesa: An Túr Solais) e aquela imensa estrutura é considerada a maior escultura do mundo. Durante o dia, ele mantém sua cor de aço, mas, ao entardecer, muda sua tonalidade de acordo com as cores do céu. À noite, o Spire é iluminado com uma luz tênue, dando um bonito efeito àquela agulha gigantesca. Enfim, há vários adjetivos para definir o Spire of Dublin: estranho, sem graça, original, feio, curioso, de mal gosto, bonito, diferente, interessante. Só não há como ficar indiferente a ele e talvez essa tenha sido a idéia de quem o concebeu.
Por falar na O’Connel Street, essa é uma rua belíssima, com prédios e suas bonitas fachadas, um bem cuidado canteiro central cheio de estátuas de “lordes e doutores” tão apreciadas por aquelas bandas, e gente de todos os cantos do mundo circulando por ali. Ao final dessa rua, vê-se o Rio Liffey, que atravessa a cidade e é uma de suas atrações. Em alguns pontos, há algumas passarelas com bancos e quiosques e, claro, bastante gente. Passear por suas margens ou apenas curtir um fim de tarde por ali é um atividade prazerosa.
Uma das grandes atrações de Dublin é, sem dúvida, sua agitada vida noturna. A possibilidade de saborear uma pint de Guinness escutando boa música é imperdível e, assim, eu fui lá conferir. Na região do famoso Temple Bar , há pubs e clubes noturnos para todos os gostos e não é exagero falar que ali circulam jovens de todas as idades e vindos das mais diversas partes do mundo. Claro que isso trás um colorido todo especial e dá àquele lugar uma atmosfera incrível. Para coroar, a temperatura no final de agosto estava agradabilíssima e isso tornava aqueles momentos ainda mais gostosos.












Sua redescoberta aconteceu em 1814 quando o então governador geral de Java, Sir Thomas Stamford Raffles, enviou o funcionário holandês H.C. Cornelius para explorar a região onde supostamente havia uma enorme construção escondida pela vegetação. Essa enorme construção era obviamente Borobodur e, imediatamente, cerca de 200 homens começaram a desencobrir o monumento e a restaurá-lo de maneira simples. Em 1973, Borobudur começou a ser completamente reconstruído sob o patrocínio da UNESCO. O monumento foi totalmente “desmontado”, cada pedra foi marcada, tratada quimicamente e novamente recolocada. Um trabalho tão grande e minucioso que durou cerca de uma década. Incrível, né?
Em setembro de 2004, fiz algumas palestras na região de Yogyakarta e tive de visitar alguns clientes naquela área. Até aí, nada demais. Entretanto, quando nos dirigíamos para um dos clientes, Soesi, minha colega de empresa naquele país, me perguntou se eu gostaria de conhecer Borobodur, pois tínhamos algum tempo disponível antes da visita. Foi como perguntar a uma criança se ela quer um doce. Aceitei imediatemente e, mesmo usando terno e gravata, fui conhecer aquela famosa atração da Ilha de Java.
Em agosto de 2008, cumpri a minha promessa. Dessa vez, sem gravata e com com mais tempo disponível. Comprei um livro-guia e percorri cada metro, subi cada degrau, estive em cada canto e observei aquele templo de cada ângulo possível. As esculturas, entalhadas nas pedras vulcânicas de Borobodur, são belas, precisas e delicadas. Algumas delas retratam passagens da vida de Buda. Fiquei especialmente fascinado em ver como as pedras eram encaixadas umas sobre as outras por meio de um sistema de alto e baixo relevo para fazer com que elas ficassem firmes. Devo ter passado três horas admirando aquela gigantesca estrutura, suas estupas e estátuas de Buda e imaginando como deve ter sido a sua construção. Literalmente, viajei na minha viagem.






Amish, para quem não sabe, é um grupo religioso cristão anabatista conhecido por seus costumes conservadores. Anabatista significa que esse grupo rejeita o conceito de batismo de crianças por acreditar que esse sacramento deve ser limitado àqueles indivíduos com idade suficiente para um sincero compromisso com os deveres religiosos. O nome Amish é derivado de Jacob Amman, um religioso do século XVII que se separou dos menonitas e seguiu um caminho ainda mais conservador. Enquando viviam na Europa, esse grupo foi duramente perseguido em função de suas crenças religiosas e, assim, no início do século XVIII, os primeiros Amish chegaram aos Estados Unidos e se instalaram principalmente no estado da Pensilvânia. Hoje, estima-se que haja cerca de 200 mil Amish vivendo nos EUA e Canadá.
Depois disso, visitamos uma casa que, segundo a guia, é uma réplica de uma casa Amish. Era uma casa simples, mas não era muito diferente do que conhecemos. Os quartos, banheiros, sala e cozinha eram “normais” e os móveis eram apenas mais rústicos. Talvez a maior diferença seja que atividade da família gira em torno da cozinha que é considerada o lugar mais importante da casa. Como os Amish não usam a eletricidade, não há televisão, rádio ou eletrodomésticos. Entretanto, há geladeira, máquina de lavar, ferro de passar roupa e máquina de costura, mas esses utensílios são movidos por diferentes fontes de energia. A geladeira, por exemplo, é movida a gás. A iluminação pode vir de pequenas lâmpadas de querosene ou de um grande lampião ligado a um botijão de gás.

Como eles não têm televisão, as famílias são grandes. Em média, cada família tem de 6 a 8 filhos. Basicamente, eles vivem da terra. Contudo, a terra disponível naquela área está ficando cada vez mais escassa para as novas gerações e, com isso, outras atividades estão sendo desenvolvidas na comunidade: encanadores, donos de lojas, prestadores pequenos serviços para turistas etc. Como alguns Amish estão envolvidos em negócios em que telefone é essencial, alguns deles têm, sim, telefones celulares. A diferença é que as baterias dos celulares são recarregados diretamente de baterias de carro. É o progresso batendo à porta dos Amish. Segundo a nossa guia, eles até frequentam o McDonalds!
Quanto à maneira de se vestir, as mulheres usam vestidos longos, geralmente nas cores azul, verde ou preto, com um avental por cima do vestido. Se a mulher é casada, o avental deve ser preto. Se ela é solteira, o avental é branco. Uma espécie de toca branca também deve ser usada. Os homens vestem ternos pretos ou azul escuro e as calças não tem zíper. Além disso, homens casados têm de usar barba sem cortar, mas com o bigode raspado.
Depois da visita à casa Amish e de todas essas informações, entramos num carro e começamos a visitar o condado de Lancaster. Eu esperava encontrar uma vila onde todas as casas da comunidade Amish estariam concentradas, mas não é exatamente isso que há naquela área. Famílias Amish vivem lado a lado com outras famílias não-Amish. Não há nada de especial, apenas que, de vez em quando, pode se ver uma carroça Amish, uma ponte coberta construída por membros dessa comunidade ou algumas crianças vestidas de forma diferente no meio do trânsito. Só isso.
Entrei na carroça e o passeio começou. No início, ele começou a despejar um monte de informações decoradas a respeito de sua comunidade. Bem típico de guias de turismos. Ouvi aquilo por alguns minutos e então falei que eu preferia conversar sobre alguns aspectos do dia-a-dia. Ele até se mostrou satisfeito com a minha curiosidade.